Quem é: boa pergunta. E, sinceramente, sou a criatura menos indicada para respondê-la - não duvido que o Désir, minha contraparte felina, o faça melhor. Da mesma forma, suponho que quem quer que venha parar aqui faça alguma idéia e tenha sua própria opinião. Agora, se quiserem nomes, temos vários à disposição. Lilly, Lili, Li, Lilica, estes no domínio geral; Nuriko parece ser o mais atual na área animesca e, claro, ainda há Desejo. Existem mais alguns outros (especialíssimos), mas são de uso exclusivo. "Liliane" também é uma possibilidade, mas anda tão em desuso quanto "pharmácia".
Tempo de Vida: suficiente para não cair na ilegalidade.
Signo: Virgem (com um pé em Libra). Ascendente em Sagitário e Vênus em Escorpião - temam. Já no horóscopo chinês, sou Tigre de Fogo. Curiosamente, as coisas até que batem.
Amores e Vícios: Rammstein, Silent Hill, o Chat (assim, com maiúscula mesmo), e mais tantos outros. Meu povo, claro, e Coca-Cola (o mal inevitável). Plagiando Neil Gaiman, acrescento "palavras" à lista. E Sandman, lógico.
Pequenos Prazeres: cheiro da comida da mamma, de fósforo queimado, de livro (e dinheiro) novo, de café fresco, do cheseburguer da Soraia, da rua da vovó quando as flores abrem e de Malbec - não necessariamente nessa mesma ordem. Sabor de Cinnamon Oblivion (de preferência, duas porções divididas para quatro pessoas, esse é o ritual), de chocolate quente da máquina do Nescafé, de Mentos de Canela, de sangue, de batata-frita molhada na gema do ovo, de Sensações de peito de peru; volto a dizer, a ordem não importa. Vista da praia (mas longe da areia), de olhos dourados ("meow!"), do céu estrelado e da lua cheia numa noite sem estrelas. Ver o 426 causa um estado breve de euforia, mas fica fora da lista. Ouvir os miados do Désir, risadas, elogios (merecidos, de preferência), músicas feitas pelo Yamaoka e certos alemães munidos de microfone, guitarras, baixo, bateria e teclado. Fico feliz com abraços apertados (até os de urso), cafuné, colo, carinho nas costas (vício de infância), massagem nos ombros, pés e mãos; além disso, brincar com cabelo sedoso, gato felpudo, arroz na lata (feito a coisa da Amélie Poulain com grãos, mesmo), pêssegos, mangas e massinha. E espremer cravos (alheios) pode ser divertido.
Religiões e Afins: acredito nos Perpétuos, na Força (ou não) e, vez ou outra, em mim mesma. Não acredito em Coelho da Páscoa, Papai Noel e nem no Windows XP.
Atividade Profissional: Seduzir, conquistar, manipular, controlar. (Estudar Teatro e Publicidade dá nisso.)
O que eu Desejo: basicamente, tranqüilidade. Seguir em frente, evoluindo aos poucos - aquela coisa de "um passo de cada vez", sabe? Manter quem importa junto de mim, e o resto do mundo que vá às favas. Também há, claro, o blá-blá-blá de sempre: trabalho estável, família feliz, sombra, água fresca, etcétera. Nah, sem muitos planos, espero para ver o que me aguarda. Se nada mais funcionar, contento-me com a idéia de ser uma velha rica, excêntrica e solitária, que mete medo nas criancinhas da vizinhança.

 

11.12.06

Quebrando o jejum

Alô criançada! O Bozo chegou!

... Ok, falemos (um pouco mais) sério.
Meu último post foi há quase 3 meses, quando eu ainda esperava ter tempo para fazer um post mais elaborado sobre o meu aniversário.

Como vocês podem constatar, fiéis leitores imaginários, não tive o tal do tempo.

Mas, bem ou mal, valeu. Até porque, o objetivo primário para esse blog era publicar textos e afins, não fazer relatos épicos dos meus fins-de-semana. E finalmente eu consegui desenterrar a minha inspiração e encerrar um texto que há muito me assombra. Melhor ainda: tenho pelo menos mais umas duas idéias fervilhantes engavetadas, prontas para as férias!

Agora, se não for pedir muito, "Vício" tá logo abaixo desse post cá.
Uma passada de olhos não dói, juro!

Desire of the Endless assim desejou, às 6:00 PM. E !


Vício

Quando me sento ao seu lado, as articulações lentas pelo frio, é com um franzir de sobrancelhas que você me recebe. Eu dou de ombros, giro os olhos como que contrariado comigo mesmo - faço-me entender por gestos, não pretendo articular palavra alguma. E você, já acostumado com essas minhas pequenas estranhezas, me permite acompanhá-lo em seu delito pela madrugada afora.

Faz-se a delicadamente intensa luz alaranjada e, instantes depois, a fumaça lhe escapa, enquanto a idéia de que mais parece sua alma deixando o corpo me traz um calafrio. Tolice a minha; seu espírito está vendido há tempos, e esse amontoado de ossos e músculos e pele que reconhecemos passa longe de ser um templo. Foi assim que aprendemos a amar você, não foi?

Eu sinto o peso dos seus olhos - as grandes lâmpadas verdes – caindo sobre mim, acompanhando com o estranhamento de sempre minhas ações. Eu reconheço o toque de piedade cúmplice que vem de você quando eu ergo o rosto em busca do perfume de nicotina e alcatrão que você exala. E nisso vem a oferta muda, o maço estendido na minha direção; esboço um arremedo de sorriso e dispenso, certo do prazer mórbido que você extrai desse ritual. Mais uma confirmação da superioridade na qual sua vida é fiada.

Um novo trago, e você estreita as pálpebras, pensa, se embriaga com suas próprias idéias. Na previsibilidade estudada de um jogo, eu estendo o pé para a armadilha que você pensa ter montado e o encaro, seu rosto assumindo um aspecto inumano sob a luz esbranquiçada e fraca do poste. Uma espécie de entidade – duende, gênio ou algo mais –, desfazendo-se em uma nuvem que me arde os olhos e invade as narinas. Até nos gestos mais automáticos há um maneirismo todo próprio: é hipnótico seguir o desenho que o cigarro faz no ar, guiado pelos movimentos livres de suas mãos, deslizando da direita para a esquerda em intervalos curtos.

Volto a mim com a guimba indo ao chão, o ponto de luz sumindo sob o peso de seu coturno. Você, como de costume, suspira e desliza no banco, encontrando uma posição comodamente largada. Só então me olha, tentando adivinhar meu próximo passo – e eu quase acredito que você ainda não tem plena ciência de que eu não vou me mover. Não pretendo romper a atmosfera, a bruma invisível que persiste ao seu redor.

Não sei quanto tempo corre entre o fim do cigarro e o momento em que você levanta. Nunca sei. Mas você observa deliberadamente a ponta dos pés e o céu, estuda a fumaça que o calor de sua respiração forma, esfrega as mãos geladas e as mete nos bolsos. Como que testando o chão em que pisa, insinua um convite para que eu volte com você; tensiona os ombros, querendo me falar do frio sem palavras. Apenas sorrio e me nego a deixar a cena do crime – muito mais meu que seu. Afinal, sou eu quem permanece junto à quase imperceptível nuvem de fumo e perfume, enquanto você ainda pode simplesmente dar as costas e ir embora. Ou, o que talvez seja mais grave, emudeço e iludo, usando um vício como álibi para outro. E agora espero pelo primeiro cigarro da manhã.

Desire of the Endless assim desejou, às 5:59 PM. E !


22.9.06

Alles Gut zum Geburtstag

Eu comi basicamente bolo, o dia todo.
Eu quase chorei, chorei, e quase chorei outra vez.
Eu me estressei, fiquei nervosa e me senti burra.

Eu tive o aniversário mais absurdamente delicioso da minha existência.

Amo vocês, que fizeram o meu dia. E vocês nem imaginam o quanto.

Desire of the Endless assim desejou, às 12:57 AM. E !


13.9.06

Testinho

Your Hidden Talent

Your natural talent is interpersonal relations and dealing with people.
You communicate well and are able to bring disparate groups together.
Your calming presence helps everything go more smoothly.
People crave your praise and complements.
What's Your Hidden Talent?



... Hah. Novidade.

Desire of the Endless assim desejou, às 3:29 PM. E !


24.8.06

Terceiro Círculo

Pareciam travar um diálogo silencioso e interminável, ela e a caixa. Únicas ocupantes da ampla sala de dois ambientes, trocaram olhares – inquisitivos, por parte dela, que não entendia nem aceitava a cumplicidade oferecida pelo objeto sobre a mesinha de centro. Do alto de sua prudência, relembrava a velha máxima sobre não confiar em estranhos, sem contar uma vasta gama de passagens bíblicas, literárias e cinematográficas que começavam da mesma forma, e nunca terminavam bem.

Franziu o cenho e crispou os lábios, em sua tão estudada expressão de dúvida; a fonte de tentação, porém, mantinha uma calma sedutora que apenas os mais seguros de si são capazes de demonstrar. Tal firmeza de postura fez com que ela se decidisse de uma vez por todas.

Correndo os olhos pelo aposento, como se sua arrogância fosse capaz de afugentar a moral e a culpa que a cercavam, se ergueu e alinhou o tailleur de tons pastéis tão semelhantes aos do sofá que ocupava e das paredes, testemunhas de seu crime já anunciado. Antes de consumar o ato, porém, apagou a luz, deixando apenas o fino abajur aceso.

Com a noite abafada pelas cortinas e a consciência devidamente obscurecida pela penumbra, enfim sentia-se isolada o bastante para prosseguir. Ainda de pé, colocou-se junto à mesa e se curvou, correndo as bem cuidadas mãos pela delicada tampa, até que a removessem.

Bombons.

Ah, sim. Era uma pecadora.

Desire of the Endless assim desejou, às 11:08 PM. E !


20.7.06

Gemialidades

- Já reparou que a única coisa que rima com "oito" é "biscoito"?
- Ah, "coito"! "Coito" rima!
- Eu sei, eu sei. O que eu quero dizer é...
- ... E "afoito".
- É, mas sempre que precisam rimar algo com "oito", usam "biscoito". Repara só!
- ... Coito afoito.
- ...
- Num coito afoito você molha o biscoito!
- Ok, essa vai pro blog.

Desire of the Endless assim desejou, às 11:45 PM. E !


29.6.06

Für Elise

Maldita.

Maldita fosse a escuridão daquele cárcere de frio metálico e antigo, ao qual ela estava condenada pela eternidade. Largada entre lembranças que não eram suas, o corpo rijo e tenso estirado sempre da forma mais desconfortável. Mas o problema maior não era esse - antes fosse! O que lhe atormentava era a expectativa, a noção cega de que o pior espreitava do lado de fora, sem que ela sequer pudesse prever o momento do bote.

Eis que veio o som. Rodas dentadas gigantescas e motores cheios de correntes, estalos altos e cadenciados. O maldito barulho que sempre precedia aquele ritual; sem hora certa, sem avisos. Quando o som vinha, ela, inerte, sabia que não havia mais o que fazer.

Aberta a prisão, fez-se a luz e a música, a maldita música que provavelmente era executada por diabretes ocultos nos porões daquele cubículo. Pegaram-na pelo braço quebrado e a dor explodiu e se alastrou como napalm, fazendo com que ela mal sentisse o contato da ponta do pé com a superfície vítrea.

Estava armado o (maldito) cenário.

Era ali que, apesar da fratura mal resolvida e o cansaço dos anos, ela passava por sua tortura infindável. Questionava-se se seria sempre assim; se deveria rodopiar e rodopiar sobre um piso de estampas mutantes até o fim dos tempos, ou se alguma daquelas entidades que a condenavam afinal se apiedaria e permitiria que a pobre descansasse. Até mesmo a escuridão parecia convidativa, sem a ameaça constante da dança.

Por ora, no entanto, tudo que ela tinha era o corpo todo equilibrado sobre a ponta de um dos pés (e os arranhões das quedas e o braço que doía como os horrores), arrastado por um magnetismo inexplicável. Girava e dançava sempre ao som da mesma melodia, acompanhada apenas pelo reflexo de si mesma que vislumbrava em metade de cada volta, no grande espelho ao seu lado. Sem descanso, sem expectativas e, acima de tudo, sem idéia de por que recebera tamanho castigo.

"Maldita", a palavra ecoou em sua mente.
Só poderia ser.

Desire of the Endless assim desejou, às 4:19 PM. E !